terça-feira, 1 de maio de 2007

Rosa-lilás

Ah Londres, só te digo uma coisa: quem dera fosse sempre primavera!
Depois de ter vivenciado o outono e o inverno (inverno este que acabou comigo), chegou finalmente uma época do ano que achei não chegaria nunca... e que lindo que é tudo aqui! Porque no Brasil a gente não sabe dizer quando começa uma estação e acaba outra. A gente só sabe que o morango dá no inverno mas flor, calor, chuva e banana dá o ano inteiro!
Eu achei que o espetáculo iriam ser as tulipas porquê pra mim são as flores de formas mais simples, elegantes e de cores vivas. Mas as roseiras estão maravilhosas, tenho que concordar! Nunca dei bola porque roseiras são feias, sem graça, crescem compridas com poucas folhas. Mas hoje voltando pra casa passei por uma igreja metodista que tem um jardim bem cuidado, e de onde apareceram tantas rosas? Foi de um dia pro outro? Não sei, talvez eu faça sempre o caminho olhando pro relógio, falando ao celular, pensando nas contas ou simplesmente com sono. Mas hoje prestei atenção e o que vi foi um milhão de cores, com cada canto do jardim querendo chamar mais a atenção. E cada rosa tinha mais uma porção de tonalidades em cada pétala! Fiquei com vontade de cheirar todas mas só cheirei algumas, fiquei com medo que alguem visse e quisesse me catequizar (não iria ter paciência). Vi a maior rosa da minha vida, era amarela. Fiquei com vontade também de roubar uma(s) pra mim. Lembrei do tempo das serenatas, veio daí o costume. Mas me controlei. Fiquei com vontade de adquirir a cultura inglesa das rosas porque existem diversos tipos e tamanhos e cores e eles adoram jardinagem. Bom, mas aí vi no meio de um arbusto, uma rosa de cor que nunca tinha visto nem nunca imaginaria existir: era lilás, assim, roxa-clara. Chegava até a ser meio brega! E aí percebi que poderia se tratar de um desses momentos mágicos de primavera que andam acontecendo aqui quando simplesmente é tudo tão bonito e tranquilo e quentinho que parece mesmo um sonho. E os problemas existem mas o agora é mais importante e o agora manda apenas aproveitar a grama verde com pequenas florzinhas brancas e margaridinhas em miniaturas espalhadas pelo chão. E talvez as rosas nem estejam mais lá amanhã.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Gilbert & George

Exposição Gilbert & George na Tate Modern no domingo. Achei que ia odiar, mas precisava tirar a prova. Eu só queria dizer que eu gostei e não gostei, e fiquei com vontade de fazer igual mas tb me incomodou. E no site da Tate tem uns vídeos com os dois velhinhos, o mais legal é o 2, onde eles mostram como organizam o catálogo de fotos (http://www.tate.org.uk/modern/exhibitions/gilbertandgeorge/)! E senti falta das mulheres. Cadê as mulheres, o corpo das mulheres, a admiração por elas? Que velhinhos mais doidos!!! Bom, é bom discutir impressões com quem tem algo a crescentar, acho até que se eu fosse analisar todas as minhas impressões poderia sair algo interessante... mas tenho preguiça!

Moscas-varejeiras

Como é que se controla o incontrolável? Como é que vou ficar menos ansiosa se o problema que leva a ansiedade por sua vez se agrava com esta última que num crescendo leva a outros problemas e que talvez nem fossem realmente problemas mas nesse bolo (com dose extra de fermento) não conseguem serem vistos menores do que problemas e se se mantém o silêncio seja talvez pra não estourar, porém o silêncio também cresce e se torna insuportável. E aí cada um resolve o não-resolvido não resolvendo-o das formas possíveis. E as formas bizarras e menos fáceis de suportar tomam conta. Miguel se fecha, não consegue tocar no assunto e explode. A BBBia chora e sofre fisicamente sem encontrar motivo. Eu com a ajuda do GP me diagnostico com uma síndrome. Caramba, e essa casa vou te contar, além de todos os problemas agora são os bichos. Pois eu achava que Inglaterra era asséptica. Só cachorros na coleira, pombos de raça nos parques, uma ou outra raposa nas ruas escuras e os meus favoritos esquilinhos! Agora é invasão de lesmas durante a madrugada, aranhas no teto do quarto e uma na banheira, rato que come chocolate importado no quarto da mexicana. E de um dia pro outro apareceram essas barulhentas-gordas-varejeiras-verdes-peludas-moscas. Surgem do nada, Uma já está mortinha na lixeira, me deixa dormir! E eu que já as coletei com puçá usando peixe podre no sol como isca. Já alimentei suas fêmeas com fígado fresco de boi para que pudessem se reproduzir. Já dei água e açúcar como forma de energia pra sobreviverem. Dieta balançeada para as suas larvas crescerem fortes e saudáveis. Mas as fiz comerem umas as outras, irmãs de primeiro grau filhas da segunda geração, as mais fortes consumindo as mais fracas. Será que vieram se vingar? Será que mesmo tendo se passado milhões de gerações após, o râncor delas por mim, que só fiz foi dar alimento, está inserido no DNA dos tetra-penta-hectanetos? Essas moscas malditas que são engolidas pelo próprio ciclo.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Day off

Amanhã é meu day off, é só nisso que consigo pensar. Meu cérebro se limitou a isso. Já não encaro mais as coisas com tanta seriedade, o que é bom, e ruim. Fico feliz porquê mudei. Vieram me contar que minhas managers estavam fofocando de mim: estavam reclamando que eu não sabia o nome de um dos A&F associates. Tem 300 pessoas trabalhando naquelamerda. E a menina ainda se chama Gemma!! É demais pra minha cabeça mesmo! Vou atrás das artes pois só elas trarão a pequena porção de riqueza de que necessito. Quero mudar esse blog, coloquei mais cores mas ainda não está bom. Sem mais.

terça-feira, 24 de abril de 2007

domingo, 22 de abril de 2007

Piccolino

Obrigada pelas coisas lindas que vc escreve, obrigada por toda a inspiração. Obrigada por aceitar as mudanças e as loucuras suas e minhas. Antes suas palavras tinham um sentido obscuro e confuso pra mim. Agora elas são alívio, mesmo quando tristes me enchem de alegria por saber que vc está vivo, respira, sabe o valor do sangue que corre dentro do seu corpo e tb sabe o valor dos pensamentos-sentimentos. Me alimente com suas palavras!

Em operaçao

Puxa, no último comentário minha irmã acertou em cheio, o tempo que dediquei a este blog foi nulo nos últimos tempos. Foi o mesmo tempo que dediquei a mim mesma. Que merda!!! E continuo reclamando da falta de tempo mas acho que ninguém que me ouve aguenta mais, nem eu! Então me proponho a parar de reclamar, me proponho a arranjar tempo pra cuidar de mim, dos meus interesses, das minhas relações, pro meu amor a vida e pra tudo que é mais e tb pro que é menos importante. E engraçado que esse meu renascimento vêm do renascimento do meu AMOR. E vc está lendo Clarice, e eu estou lendo o livro dela que vc mais gosta. Que começa justamente falando sobre o tempo. Pra mim, se desse pra visualizar o TEMPO, seria um grande emaranhado de lã. Está tudo cruzado no passado, cruzando nesse instante e o nó vai ser ainda maior no futuro. Porque não é um tricô bem feito que está sendo formado, é linha pra todo lado, linhas continuas, sem começo e fim definido, tomando direções incertas. Tento lidar com a aleatoriedade dessas linhas de lã. Nem sempre consigo.

Ainda preciso de estrutura. Paro por aqui por hora.

Este blog entrará para a sala de cirurgia plástica em alguns minutos.