sábado, 20 de janeiro de 2007

Sinais

Sim, já estou dando sinais de que não sou mais a mesma.
Sou briguenta de verdade, todo mundo sabe. Mas em outros tempos nunca brigaria com alguém que precisasse mantêr relações cordiais, e.g., o dono do restaurante onde trabalho de garçonete. Mas quem é que disse que eu tenho que mantêr relações cordiais com ele? Então briguei. Mas depois da discussão veio a raiva. E resolvi seguir o conselho de um amigo e dar risada. Então dei risada no caminho para o restaurante na noite seguinte. Ri por dentro quando cheguei e ele não me comprimentou. Ri de novo quando pedi meu dinheiro da semana. E assim foi. E aí passou o râncor, ou talvez nem tenha vindo râncor depois da raiva. O que foi estraordinário. Agora ele é indiferente a mim e eu sou indiferente a ele. Mais ou menos também porquê ele precisa do meu trabalho, eu preciso do salário dele. Dou risada com os cozinheiros, dou risada com os outros garçons, dou risada com os clientes e dou risada do chefe. E ponto.
Mas tem outras mudanças também. Essa é novidade mesmo e é tão nova que ainda estou me surpreendo! Ando ouvindo bossa nova! Puxei várias músicas da internet: Tom, Bebel, Chico... Tem uma música famosa muito fofinha que fala assim:

"Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim"

Não é fofinha? É pra você!

Bom, também adquiri novas manias, mas melhor falar depois. O que interessa é que não estou deixando de ser, estou acrescentando ao meu ser, e isso me deixa feliz!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Pintinho-amarelinho

Quando era pequena tinha vontade de ir em todas as feiras de cães e bichos que aconteciam pela cidade. Fico imaginando como eu devia insistir até não aguentarem mais. Como minha mãe falaaté hoje , enquanto eu não consigo eu não sossego. Consegui então ir em algumas feiras. Claro que me interessavam mais aquelas em que, pagando o ingresso, na saída, cada criança tinha direito a ganhar um peixinho ou um pintinho! Podia escolher... mas que coisa chata aquele peixinho meio bobo boiando-nadando-chacoalhando dentro de um saco plástico com ar, claaaaro que eu queria o pintinho! Por causa dessas feiras eu achava que todo pintinho era amarelo ouro, não existia de outra cor. Levamos alguns pintinhos pra casa (no plural porquê sempre um era meu e o outro da minha irmã). Na verdade até essa idade só havia morado em apartamento. Naquela época não entendia direito porquê os pintinhos não podiam viver em uma caixa de papelão pra sempre. Fazia um esforço pra imaginar aqueles pintinhos virando galhinha ou galo mas nunca conseguia, eles eram tão bonitinhos, tão fofos e amarelos. Como é que podia virar uma galinha monstrenga?! E não tinha mesmo como conseguir imaginar. Nunca vi nenhum pintinho meu crescer, começavam a ficar um pouco maiorzinhos (acho que duravam na verdade só alguns dias em casa) e eram dados pra vizinha, empregada, sei lá quem!
Fiquei imaginando aqueles milhares de pintinhos amontoados esperando serem levados por crianças paulistanas para seus apartamentos. Será que todas as mães tinham pra quem dar os pintinhos? O que aconteciam a eles? Será que suas vidas foram melhores do que seus primos que moravam em granjas? Será que chegaram um dia a ciscar em um chão de terra? Acho que nunca descobrirei onde é o melhor lugar pra um pintinho rachar seu ovo e nascer. Ser pintinho de granja ou de apartamento tanto faz na verdade. Durante suas vidas não serão em nenhum momento indivíduos, pois são só mais um em um mar de pintinhos iguais. Viverão apenas com a função de dar prazer, ou `as criançinhas antes de morrerem, ou depois que foram pra panela. E a vida na cidade me lembra isso, pessoas ciscando por aí por migalhas de prazer, sem a consciência de que estão morando na verdade em uma granja onde todos são padronizados, ou, no máximo, num apartamento. Nunca vão saber que existiu um lado de fora, um terreiro pra ciscar.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

hum...vontade de comer...

Hoje de manhã me deu a maior vontade de comer bisnaguinha Panco (antiga Seven Boys) com geléia! A bisnaguinha eu dedicaria `a Ari e a geléia (daquelas que vêm num copinho de vidro semelhante a da Turma da Mônica),`a Juli.

.................................................................morte

Se falo de morte não é para incomodar.
A morte já me assustou muito. A primeira vez que fui ao Rio ver o Cristo Redentor me falaram que eu tinha direito a um pedido. Devia ter uns 8 anos. Naquele momento de fé pedi que ninguém da minha família morresse. Nunca. Obviamente o pedido não foi atendido.
Desde então, assim como a maioria dos mortais, procuro explicações. Encontrei uma que parece ser boa: que vivi e morri e nasci e vivi e morri muitas vezes. E que nascer é na verdade um processo mais difícil do que morrer.
O fato é que morremos um pouco a cada dia, uns mais, outros menos. Mas também é fato que temos a capacidade de criar vida, vida a cada instante, em pequenos momentos, com pessoas, com o ambiente, nas nossas atitudes, no nosso pensamento. Só estou tentando encontrar o equílibrio. Então, não se assuste quando falo de morte, porque, se falo, é que estou cheia de vida!

domingo, 7 de janeiro de 2007

Guarda-chuva

Fui obrigada a comprar um segundo guarda-chuva pois a chuva apertou e eu estava sem o meu. Mas também o primeiro já estava velho, durou 4 meses. Duas hastes estavam quebradas, com vento forte ele já não aguentava. E o vento forte está aumentando então é capaz do segundo durar menos do que o primeiro. Melhor assim. O primeiro era roxo, o segundo é preto... se de alguma forma eles representarem o meu estado de espírito então quero mais é que ele quebre rapidinho, fique desfigurado. Nada contra o preto, gosto muito da cor. Mas no meio de uma multidão se espremendo pra andar sob a proteção das lojas, no chão molhado e cinzento, bem no meio do inverno com temperaturas baixas e vento gelado, a chuva caindo e molhando casacos, chapéus e guarda-chuvas escuros, eu queria mesmo era ter um guarda-chuva gurada-sol, bem grande e redondo e amarelo.

Um momento, por favor!

Hoje a tarde estava voltando com pressa pra casa. Peguei o trem pra Wimbledon em Victoria, esperei só 3 minutos. Entrei no primeiro vagão porque geralmente são mais vazios. Sentei, estava cansada. Era um daqueles vagões que além dos assentos um ao lado do outro também tem aqueles sofázinhos para quatro pessoas (embora seja constrangedor sentar em 4 pois não há espaço suficiente para 8 pés e 8 pernas ali).
Pelo reflexo do vidro vi um movimento estranho. Atrás de mim havia um senhor branco, careca e meio gordinho. Ele estava com as duas mãos juntas próximas ao rosto. Falava baixinho sozinho. Estava rezando. Tinha os olhos fechados e estava concentrado. Uma gota de suor escorria entre a testa, a careca e o olho. Mas meu senhor, estamos no inverno! Num dos dedos ele tinha um baita de um anelzão dourado, daqueles bem brega, tipo de formatura com algum emblema, escudo ou coisa parecida.
Eu não tive dúvida, na estação seguinte zarpei fora. Tive que esperar o próximo trem no frio por vários minutos, mas achei melhor assim. Imaginei que terrorista agora tem cara normal e só da pra desconfiar de atitudes suspeitas. Rezar no metrô pra mim foi uma atitude suspeita. Já existem diversos cartazes nas estações e vagões de metrô que tentam 'educar' as pessoas transmitindo mensagens do tipo: 'não coma no metrô pois o cheiro de sua comida pode incomodar os outros'; 'abaixe o som do seu mp3 player ou celular, mesmo que com fone de ouvido'; 'não deixe seus pertences por aí porque eles serão considerados suspeitos'... Será que os carinhas da empresa de metrô precisarão criar um cartaz do tipo 'não exercite sua fé no metrô porque isto pode levar os outros a acharem que você é uma pessoa altamente suspeita com intenções terroristas, ou no mínimo louco, e elas não querem sentar ao lado de pessoas loucas'?

Será que vivi apenas um momento paranóico?

Será que realmente gostaria de ler um cartaz desses amanhã no vagão?

Será que estou me tornando um... uma... ?

Ani-Massao