quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Dois Rios

Dois Rios

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

lálálá...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

cachorro-velho

Aqui é tudo trocado. Não sei se é porque estamos numa ilha e isso provoca reações adversas ou se tem a ver com o fato dela ser desenvolvida.
Fato 1: agora tenho um cachorro postiço emprestado que supostamente deveria curar a minha carência. Ele é tão apático que um cachorro de pelúcia que funcionasse com pilhas AA e falasse frases do tipo "vamos brincar?", "me leva pra passear?", "quero fazer pipi", "au, au", seria melhor! Parece que perdeu todos os instintos animais. Como eu só conhecia cachorro brasileiro estou estranhando um pouco. Cachorro no Brasil late o dia inteiro pra quem passa no portão. Cachorro no Brasil caga na rua e ninguém limpa. Vira-lata e vira-lixo. Pega pulga, sarna e carrapato. Olha antes de atravessar a rua. Anda em bando atrás de fêmea no cio. Cachorro é mais cachorro!
Fato 2: estava andando na rua tarde da noite essa semana. Aí surgiu um senhor que lembrou meu Nonno. Ele usava roupa de europeu: sobretudo cáqui e uma boina de lã. Estava de bicicleta, dessas de passeio mesmo, com luz, para-chóques e cestinha!! No maior estilo. E aí ele veio na minha direção e desviou, e foi pro outro lado da rua e desviou de novo, e seguiu assim, subindo a rua de um lado pro outro, agilmente, como a gente sobe ladeira de bike quando é jovem! Foi um velho-jovem que eu vi...fiquei espantada! Fiquei olhando até ele ir embora. Velho no Brasil tem reumatizmo. Não tem direito a andar de bicicleta. Não tem dinheiro pra comprar a bicicleta. Não usa boina e nem anda no maior estilo. Toma remédio que custa quase toda a aposentadoria. Idoso no Brasil feliz da vida?

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Fato

9 pessoas morrem por dia (5 – 10% do número de óbitos da capital de São Paulo) por doenças agravadas pela poluição do ar. E há uma redução em média de um ano e meio na expectativa de vida causada pela poluicão e seu impacto na saúde da população!!!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Belong

Parece que passamos a vida inteira em uma dança onde o objetivo final é se sentir parte de um grupo, fazer parte de um todo que faça sentido... pra depois descobrir que esse grupo não faz sentido, e então continuamos a dança pra sair dele e procuramos outro.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Passeio no interior

Chegando na cidade, atravesse a ponte. As roupas que foram lavadas ficam penduradas logo ali, na beira do rio mesmo. Vá andando, mas não precisa andar muito, logo `a direita você vai ver o mamoeiro, com os maiores mamões desse mundo! Aproveita, já estão quase maduros. A vida no interior tem outro ritmo então não precisa ter pressa pra aproveitar o passeio. Vá seguindo pelo rio. De longe, pode-se avistar palmeiras bem altas, é onde fica a vila com casas rosas e azuis e a plantação de banananeiras. Se chegar na hora certa, você vai encontrar, sentado nas pedras do rio, o pescador – acho que hoje foi dia de um belo dourado! Esse pessoal adora conversar, se der trela você vai ouvir um monte de histórias sobre a natureza com aquele sotaque encantador! Depois de um belo almoço com toda aquela comida caseira, a sombra de uma árvore qualquer e a paisagem de idílio convidam os namorados a se sentarem abraçadinhos. Com o sol a pino, só os cactos agüentam esse calor! Mas vale a pena depois conhecer lá para os lado das colinas sempre verdinhas, onde tem também outra vila. É a paisagem com touro que chama a atenção de quem passa, aquele baita zebu, no meio da praça! Deve ser por isso que tem cerca pra todo lado. Mas interior tem dessas cenas inesperadas mesmo. E se, depois desse passeio, você ainda não estiver certo de que a vida no interior é cheia de cores, movimentos e sabores, vá até o lago, onde as montanhas tem a cor das águas e as águas de céu. E a vegetação é exuberante, cada planta um formato. Tem palmeiras, epífitas e aquáticas e as paineiras estão em flor. E uma vez estando lá, você vai achar que entrou no sonho de alguém. Que essa calma e essas cores fazem parte da mente criativa de um artista. Bom, isso é verdade. A vida caipira é assim, tem outro tempo, tem outro ritmo e muito mais cor! E Tarsila me faz lembrar de tudo isso!

sábado, 2 de dezembro de 2006

Nada como um bom chocolate pra dar aquele seratonizada no organismo nos momentos ruins, se for suíço então!!