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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

cachorro-velho

Aqui é tudo trocado. Não sei se é porque estamos numa ilha e isso provoca reações adversas ou se tem a ver com o fato dela ser desenvolvida.
Fato 1: agora tenho um cachorro postiço emprestado que supostamente deveria curar a minha carência. Ele é tão apático que um cachorro de pelúcia que funcionasse com pilhas AA e falasse frases do tipo "vamos brincar?", "me leva pra passear?", "quero fazer pipi", "au, au", seria melhor! Parece que perdeu todos os instintos animais. Como eu só conhecia cachorro brasileiro estou estranhando um pouco. Cachorro no Brasil late o dia inteiro pra quem passa no portão. Cachorro no Brasil caga na rua e ninguém limpa. Vira-lata e vira-lixo. Pega pulga, sarna e carrapato. Olha antes de atravessar a rua. Anda em bando atrás de fêmea no cio. Cachorro é mais cachorro!
Fato 2: estava andando na rua tarde da noite essa semana. Aí surgiu um senhor que lembrou meu Nonno. Ele usava roupa de europeu: sobretudo cáqui e uma boina de lã. Estava de bicicleta, dessas de passeio mesmo, com luz, para-chóques e cestinha!! No maior estilo. E aí ele veio na minha direção e desviou, e foi pro outro lado da rua e desviou de novo, e seguiu assim, subindo a rua de um lado pro outro, agilmente, como a gente sobe ladeira de bike quando é jovem! Foi um velho-jovem que eu vi...fiquei espantada! Fiquei olhando até ele ir embora. Velho no Brasil tem reumatizmo. Não tem direito a andar de bicicleta. Não tem dinheiro pra comprar a bicicleta. Não usa boina e nem anda no maior estilo. Toma remédio que custa quase toda a aposentadoria. Idoso no Brasil feliz da vida?

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Ilha do Cardoso - S 25°04' W 47°54'

Minha querida amiga vai passar o ano-novo na Ilha do Cardoso. Pensei: ué, mas lá não é local de trabalho? E ouvi também: sempre achei que lá era seu local de trabalho!
…comecei a lembrar … já fiz cursos e disciplinas lá; já coletei dados; subi e desci morro; ajudei um monte de gente em suas pesquisas; ajudei a abrir trilha; me perdi na floresta (que agonia – segui meus institintos e fiquei andando em círculos!?); brinquei de pique bandeira na praia; fiquei na cabana de madeira isolada com uma pessoa que pirou no meio do mato; vi jararaca; subi e desci morro; encontrei com índio bêbado; fui perseguida por uma caninãna (cobra preta e amarela, ela segue mesmo); quase precisei de um guindaste pra sair da lama até a cintura no manguezal; soltei tartaruga no mar; tomei cataia (não, não gosto tanto quanto vc amiga); dancei forró com caiçara; dancei forró com gringo; subi e desci morro; comi banana frita com o ermitão (Seu Cardoso); contei papagaio; peguei carrapato, micuim e mutuca; nadei com os botos; subi nos cercos pra ver as tainhas; subi e desci morro… ufa! … algumas pessoas sabem do que eu tô falando, é, a Ilha do Cardoso não é local de trabalho mesmo.